PRANTO DO POETA
NELSON CAVAQUINHO E GUILHERME DE BRITO
Em Mangueira
Quando morre um poeta
Todos choram bis
Vivo tranquilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer
Mas o pranto em Mangueira é tão diferente
É um pranto sem lenço
Que alegra a gente
Hei de Ter um alguém
Pra chorar por mim
Através de um pandeiro e de um tamborim
Morre um poeta e fica a poesia, a lembrança de seus versos na alma de todos que os veneram.
É em Mangueira, berço de inúmeros bambas, que esta celebração acontece de forma simples e verdadeira.
Todos choram este pranto misterioso sem lenço e banhado de alegria, pois o samba tem este poder de literalmente nos arrancar de nós mesmos, deste universo ordinário e sem magia. Só mesmo através da adoção de uma postura artística ou trágica, só e tão somente, poderemos suportar este sistema medíocre e sufocante.
Sempre alguém há de chorar quando o poeta morre. Vive ele feliz, pois guarda a certeza de que alguém perpetuará sua obra, pois este mínimo prazer é mais poderoso do que qualquer outra coisa neste vasto mundo.
Será um choro que conseguirá extrair da tristeza a alegria que por sua vez há de encontrar a eternidade.
A morte aqui é paradoxalmente como que um renascimento de um outra esfera espiritual. Foi-se a carne, mas aquilo que estará sempre ali acha-se compromissado com o além.
É quando esbarramos com o silêncio do inviolável, quando o segredo abre as portas de uma outra possibilidade em nível de percepção.
Quando morre um poeta
Todos choram bis
Vivo tranquilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer
Mas o pranto em Mangueira é tão diferente
É um pranto sem lenço
Que alegra a gente
Hei de Ter um alguém
Pra chorar por mim
Através de um pandeiro e de um tamborim
Morre um poeta e fica a poesia, a lembrança de seus versos na alma de todos que os veneram.
É em Mangueira, berço de inúmeros bambas, que esta celebração acontece de forma simples e verdadeira.
Todos choram este pranto misterioso sem lenço e banhado de alegria, pois o samba tem este poder de literalmente nos arrancar de nós mesmos, deste universo ordinário e sem magia. Só mesmo através da adoção de uma postura artística ou trágica, só e tão somente, poderemos suportar este sistema medíocre e sufocante.
Sempre alguém há de chorar quando o poeta morre. Vive ele feliz, pois guarda a certeza de que alguém perpetuará sua obra, pois este mínimo prazer é mais poderoso do que qualquer outra coisa neste vasto mundo.
Será um choro que conseguirá extrair da tristeza a alegria que por sua vez há de encontrar a eternidade.
A morte aqui é paradoxalmente como que um renascimento de um outra esfera espiritual. Foi-se a carne, mas aquilo que estará sempre ali acha-se compromissado com o além.
É quando esbarramos com o silêncio do inviolável, quando o segredo abre as portas de uma outra possibilidade em nível de percepção.
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