sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

NÃO ME INTERPRETEM MAL, MAS...

  Olá amigos,
   Não me interpretem mal quando critico os grupos que fazem trabalhos sem conteúdo com o fito de vender milhões de cópias.
    Ocorre isto mesmo neste país que não está acostumado a oferecer qualidade aos seus cidadãos.
    Olho para o lado e vejo com otimismo o surgimento de outros compositores cujas concepções vão de encontro ao chamado samba autêntico, ao samba de raiz com melodias belíssimas e letras que realmente encantam.
    Não pretendo ainda aqui criar inimizades com quer quer que seja, mas observo que há um tipo de postura que considera monótona a produção do chamado samba de raiz.
    Ocorre que as pessoas estão tão viciadas na correria, digo isto em termos de compasso musical destes sambas para consumo rápido, que não são capazes de sentir a cadência de uma composição verdadeira.
   A dolência do samba de raiz incomoda pelo fato de convidar os ouvintes à reflexão. Não se coaduna com as exigências desta moderna vida ordinária.
  Não se trata ainda  de dizer que os ouvintes devem ter o que querem.
  Eles precisam é ter acesso a este tipo de coisa, precisam de outros estímulos que refinem um pouco mais sua postura musical.
   Os compositores Léo Fernandes, Thiago-Ajary, João de Abreu e também a poetisa e compositora Maria Helena Bruzzani são parceiros que pretendo manter para o resto de meus dias.
    Todos eles pessoas iluminadas que escrevem e criam melodias extraordinárias.
      Tenho a sorte de haver produzido com estes virtuosos sambas de boa qualidade.
       Entendo que intervenções sérias se fazem necessárias para que a população seja literalmente melhor informada acerca desta vasta produção nacional.
       Precisamos de mais shows em praça pública, de mais NELSON CAVAQUINHO, DELCIO CARVALHO, CARTOLA e NELSON SARGENTO nas ruas. Precisamos de mais mostras e ciclos de debates sobre samba com entrada franca nos teatros e espaços culturais desta cidade. Precisamos atrair os ouvintes através de múltiplas iniciativas em todas as cidades do país. Precisamos abrir espaço para os compositores de ponta que encontram muita dificuldade em mostrar seus trabalhos.
    Acredito que se fizermos isso, se realmente o fizermos, esvaziaremos os meios de comunicação que certamente terão que mudar sua visão mercadológica se quiserem sobreviver.
       Parece evidente que se trata de um luta desigual, se considerarmos o poder inquestionável dos chamados mass media no que se refere à modelagem do gosto, mas algo tem que ser feito neste sentido.
       Não tenho ainda nada contra o chamado pagode, mas há que se ter cuidado para que a composição não se torne piegas e sem conteúdo.
       Fala-se muito em povo, sobre o que o povão gosta.
       Pergunto eu: Que povo é este?
                            Quem, neste mísero país, se arroga o direito de falar por eles?
                              
       Tenho a plena certeza de que este tal povo, que não sei bem o que é, se corretamente orientado vai fazer a diferença.

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